Resenha - Um Martíni com o Diabo, Cláudia Lemes

Autora: Cláudia Lemes
Páginas: 333
Ano: 2016
Editora: Empíreo
Sinopse: O jovem Charlie Walsh está em Las Vegas, não para tentar a sorte, e sim para matar seu pai, o chefe da máfia italiana, Tony Conicci. O plano era infiltrar-se no restrito grupo de confiança da família Conicci e se aproximar do chefão. Mas Las Vegas corrompe. E o desejo de vingança de Charlie é posto em prova quando ele se vê seduzido por amizades, poder, drogas e dinheiro que a máfia oferece. Com o FBI em sua cola, e secretamente apaixonado pela enigmática esposa do pai, ele precisará decidir onde apostar sua lealdade.



Resenha: 
 
Quando o jovem Charlie Walsh descobre pela boca de sua mãe a terrível história dela e de como ele foi gerado, tudo o que ele quer é vingança contra seu próprio pai, o chefe da máfia italiana: Tony Conicci. O plano inicial era infiltrar-se na máfia, ganhar a confiança de Tony e, na primeira oportunidade, matá-lo.



“— Aquela desgraçada não vai morrer sem minha permissão, filho”.



Escondendo seu sobrenome de origem irlandesa — por conta da rixa ente italianos e irlandeses —, Charlie Walsh se torna Charlie Retorini e, após um plano bem-sucedido para se aproximar de Tony, se torna um “um amigo meu”, gíria usada para se referir àqueles ligados à máfia, mas sem necessariamente ser um membro dela. Sua infiltração definitiva, quando os livros são abertos, e ele se torna um “amigo nosso”, um membro da máfia, ocorre pouco a pouco e leva anos. Durante todo esse tempo, Charlie enfrenta muita coisa, e no decorrer de sua infiltração, Las Vegas o corrompe. Dinheiro fácil e em abundância, amizade, drogas, mulheres, jogos, amor… E até mesmo uma empatia por seu pai, a quem ele jurou vingança.




“(…) — Agora eu ganho o suficiente para juntar a grana que preciso para sair dessa merda. Não vou jogar tudo isso para o alto só porque você quer. Só porque acha que tem direito de me julgar, sendo que o que você faz é mil vezes pior”.



Mesmo após ser um membro da família Conicci, a lealdade de Charlie continua sendo testada, Las Vegas continua o corrompendo vagarosamente, balbuciando entre odiar e admirar Tony, amando em segredo a esposa de seu próprio pai.
Mas não é só Charlie que se vê seduzido por Tony, ou por suas amizades. Claudia construiu o personagem de uma forma tão incrível que até eu me vi seduzida pelo mafioso. Apesar de todas as crueldades, torturas e atitudes de Tony, condizentes com sua posição e com a máfia italiana, é um personagem que não se odeia completamente. Quando o confronto entre Charlie e Tony acontece, juro por Deus que torci por um final como Tony sugeriu ao filho. É um romance que me fez hesitar junto com o protagonista, me fez balbuciar entre torcer para que Charlie cumprisse sua vingança e torcer para que pai e filho se unissem.



“(…) — A violência de um homem é sempre justificada de uma forma ou de outra. A sexualidade de uma mulher não."


Todos os personagens, aliás, são cativantes, todos eles possuem um pouco de humanidade, apesar dos apesares, que é o que me fez cativá-los e não odiá-los completamente. Exceto Fabricio, não havia humanidade nele, e eu não simpatizei de forma alguma. Mas até mesmo um personagem desprezível como ele me admirou pela forma de sua construção, tão benfeita pela autora.
O teor da história, a escrita, o desenrolar e o desfecho da trama foram harmônicos e surpreendentes.
Um Martíni com o Diabo é um daqueles livros que você sente orgulho de ter lido, e sente ainda mais orgulho de fazer parte da nossa literatura.

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