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Resenha: A Noiva de Papelão.

Posted by Amanda Nunes on 10:26:00
Autor: Flavio P. Oliveira
Editora: Delirium
Ano: 2015
Páginas: 160
Sinopse: A vizinha do 305, no quarto escuro, uma borboleta tatuada, o trauma. Todos têm amigos imaginários. Ele socorre o senhor Goiabada, e o doutor Heriberto Gusmão aceita e aprova a ex-noiva em papelão. O trauma, o verme da goiaba, o avô das incríveis fábulas de sapos cor-de-rosa, misto-quente. Escreva no caderno a pior história de sua vida, recorde o apagado… Ele sente as pessoas desaparecem quando toma os comprimidos, e o marmota não envelhece, a vizinha sorri com malícia; delícia. O ex-padrasto bêbado, a mãe promotora de justiça sendo ameaçada, o fusca e o elefante branco; personagens e/ou personificações de traumas esquizofrênicos.

Resenha:

Quando a saudade aperta no coração do nosso protagonista (não revelarei nome para manter a magia do livro), ele resolve criar a imagem em escala real da sua noiva, imprimindo-a em papelão. O que sabemos logo de início é que ele foi rejeitado pela mulher amada, pediu-a em casamento, mas recebeu um “não” como resposta.  Com o decorrer da narrativa, alternando-se entre passado e presente, numa linha não tão cronológica assim, vamos descobrindo um pouco mais sobre nosso protagonista.




"Aprendo mais nos erros que nos acentos circunflexos, especialmente se em dia de comprimidos e remédios."




Entre uma mãe promotora sofrendo ameaças, uma irmã mais velha que o chama de pirralhinho e uma vizinha de sorriso enigmático e dona de gatos siameses, vivem também o sr. Goiabada, o marmota, o porco-espinho, eventualmente um dinossauro,  o verme da goiaba, lembranças de um ex-padrasto bêbado vomitando em sua roupa de formando, o quarto escuro e tatuagem de borboletas, as histórias do avô sobre um elefante branco e alecrins, um sequestro… Mas um bom bocado disso é pura imaginação do personagem.




Aplausos na televisão me incomodam — sou chato, rabugento e um tanto quanto igual aos demais no quesito chatice, rabugices e excentricidades. O marmota acompanha os aplausos e me irrita.




Quando a noiva de papelão não suprime mais seus anseios de carinho, ele começa a enxergar Manuela — a vizinha dos gatos siameses —, mas ainda assim se nega a se desfazer da imagem em escala real de Magnólia — a noiva de papelão —, que é, no entanto, o ponto central da história e a causadora de tudo. Impressa em escala real, o médico dos comprimidos aceita-a como forma de tratar os traumas, e lhe propôs uma tarefa, acreditando em uma cura: escrever a pior história de todas em seu caderno.



Dói ser silencioso em um mundo de gritaria (…).



Enquanto o autor nos conduz por fatos atemporais na história, numa narrativa peculiar e, diria, quase poética, os retalhos dessa incrível história vão se juntando para um incrível desfecho.  


Considerações pessoais:

A Noiva de Papelão foi o terceiro livro que li do autor (anteriores: Talvez Nunca Mais um País e Uma Princesinha no País das Maravilhas), então quando me deparei com a escrita meio doida, meio poética já estava habituada. Flavio mantém seu estilo de escrita, surpreende e se supera com uma história incrível e com um desfecho inesperado. Uma das peculiaridades da história nem é somente a narrativa, mas o fato de sabermos o nome do protagonista somente na última página do livro. No entanto (comentei o mesmo sore TNMuP), a leitura é tão agradável, fácil, divertida, interessante e instigante que o nome do personagem (ou dos personagens, pois também não sabemos o nome de sua mãe, irmã…) parece trivial na história. É algo que não faz falta e você só dá conta do ocorrido exatamente na última página, quando, por fim, o autor nos revela o nome do protagonista.

A narrativa do autor, como já comentado, é meio doida, com fatos atemporais, parágrafos inseridos fora de contexto ou ordem cronológica dos acontecimentos, sentenças invertidas, pitadas de bom humor… O que não atrapalha de forma alguma a leitura. Na verdade, acho que o autor te força a ler com mais atenção para entender a história, e isso é um ponto positivo, pois, quando você lê mais devagar, com mais atenção, você aprecia melhor a história e a narrativa genial do autor. Além dessas doideiras todas, também gostei da narrativa em primeira pessoa, mas como se o protagonista estivesse contando sua história não para um leitor, mas para a noiva de papelão, para a Magnólia.



“Eu voltei do passeio, busquei Manuela na porta do colégio, andamos em algumas lojas atrás de borboletas, e você desapareceu… Você estava deitada em cima do guarda-roupa”.



 Um romance que pra mim foi meio doido, muito fofo, completamente incrível e indicadíssimo!  

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Resenha - Um Martíni com o Diabo, Cláudia Lemes

Posted by Amanda Nunes on 09:09:00 in
Autora: Cláudia Lemes
Páginas: 333
Ano: 2016
Editora: Empíreo
Sinopse: O jovem Charlie Walsh está em Las Vegas, não para tentar a sorte, e sim para matar seu pai, o chefe da máfia italiana, Tony Conicci. O plano era infiltrar-se no restrito grupo de confiança da família Conicci e se aproximar do chefão. Mas Las Vegas corrompe. E o desejo de vingança de Charlie é posto em prova quando ele se vê seduzido por amizades, poder, drogas e dinheiro que a máfia oferece. Com o FBI em sua cola, e secretamente apaixonado pela enigmática esposa do pai, ele precisará decidir onde apostar sua lealdade.



Resenha: 
 
Quando o jovem Charlie Walsh descobre pela boca de sua mãe a terrível história dela e de como ele foi gerado, tudo o que ele quer é vingança contra seu próprio pai, o chefe da máfia italiana: Tony Conicci. O plano inicial era infiltrar-se na máfia, ganhar a confiança de Tony e, na primeira oportunidade, matá-lo.



“— Aquela desgraçada não vai morrer sem minha permissão, filho”.



Escondendo seu sobrenome de origem irlandesa — por conta da rixa ente italianos e irlandeses —, Charlie Walsh se torna Charlie Retorini e, após um plano bem-sucedido para se aproximar de Tony, se torna um “um amigo meu”, gíria usada para se referir àqueles ligados à máfia, mas sem necessariamente ser um membro dela. Sua infiltração definitiva, quando os livros são abertos, e ele se torna um “amigo nosso”, um membro da máfia, ocorre pouco a pouco e leva anos. Durante todo esse tempo, Charlie enfrenta muita coisa, e no decorrer de sua infiltração, Las Vegas o corrompe. Dinheiro fácil e em abundância, amizade, drogas, mulheres, jogos, amor… E até mesmo uma empatia por seu pai, a quem ele jurou vingança.




“(…) — Agora eu ganho o suficiente para juntar a grana que preciso para sair dessa merda. Não vou jogar tudo isso para o alto só porque você quer. Só porque acha que tem direito de me julgar, sendo que o que você faz é mil vezes pior”.



Mesmo após ser um membro da família Conicci, a lealdade de Charlie continua sendo testada, Las Vegas continua o corrompendo vagarosamente, balbuciando entre odiar e admirar Tony, amando em segredo a esposa de seu próprio pai.
Mas não é só Charlie que se vê seduzido por Tony, ou por suas amizades. Claudia construiu o personagem de uma forma tão incrível que até eu me vi seduzida pelo mafioso. Apesar de todas as crueldades, torturas e atitudes de Tony, condizentes com sua posição e com a máfia italiana, é um personagem que não se odeia completamente. Quando o confronto entre Charlie e Tony acontece, juro por Deus que torci por um final como Tony sugeriu ao filho. É um romance que me fez hesitar junto com o protagonista, me fez balbuciar entre torcer para que Charlie cumprisse sua vingança e torcer para que pai e filho se unissem.



“(…) — A violência de um homem é sempre justificada de uma forma ou de outra. A sexualidade de uma mulher não."


Todos os personagens, aliás, são cativantes, todos eles possuem um pouco de humanidade, apesar dos apesares, que é o que me fez cativá-los e não odiá-los completamente. Exceto Fabricio, não havia humanidade nele, e eu não simpatizei de forma alguma. Mas até mesmo um personagem desprezível como ele me admirou pela forma de sua construção, tão benfeita pela autora.
O teor da história, a escrita, o desenrolar e o desfecho da trama foram harmônicos e surpreendentes.
Um Martíni com o Diabo é um daqueles livros que você sente orgulho de ter lido, e sente ainda mais orgulho de fazer parte da nossa literatura.

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Resenha - Fugitivos, Carlos Barros.

Posted by Munique Andrade on 14:27:00 in , ,

Intenso, cheio de emoções e apaixonante. Bem antes de ser lançado, o livro já fazia sucesso nos espaços das redes literárias e colecionava muitos fãs, que se nomeavam #somostodosfugitivos. Uma campanha positiva e bem animadora, que despertava a curiosidade dos leitores, inclusive a minha. Foi assim, que tive o interesse de conhecer mais sobre esse sucesso e tive a oportunidade de me tornar parceira desse brilhante autor. E mais ainda, tive a chance de me apaixonar por essa linda história! 




Editora: Giostri                                                                                                                         Ano:  2015                                                                                                                           Nº de Páginas: 647                                                                                                                   Autor:  Carlos Barros.


Sinopse: De onde vem a amizade? O que é necessário para se ter uma vida melhor? 
Caio, um carioca de 15 anos, perdeu os pais em uma tragédia e foi morar com a avó em Belo Horizonte. Cheio de traumas, causados pelo incidente que vitimou sua família, ele não tem mais desejo de retomar sua vida. Fernanda, de 15 anos, protege seu irmão Jonas, de 11 anos, do temperamento violento do pai. Ela se apaixona por Caio, e este por ela. O sentimento que nutrem, será o catalizador de uma briga que colocará em risco a segurança dos dois. Gabriel, de 17 anos, e Bianca, sua irmã de 5 anos, perderam a mãe, por ela ser viciada e ter sofrido uma overdose, e o pai está preso. Ficam sob a tutela da Justiça e do irmão mais velho, de 20 anos, que apoia o pai em planos escusos para melhorarem de vida. 
Em Fugitivos, acompanhamos o amor nascer entre Caio e Fernanda, e a força da amizade que surge entre os cinco jovens, de forma tão intensa, que o drama de cada um deixa de ser individual e passa a ser de todos. No momento em que suas histórias se misturam, eles precisam fugir para salvarem suas vidas. Nessa corrida emocionante, que atravessa os estados de Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Pernambuco, mais de dois mil quilômetros, iremos descobrir seus sonhos, seus medos, suas tristezas e suas alegrias, tudo envolto por muito suspense, perigo, romance e reviravoltas surpreendentes.



            Com um enredo envolvente e descritivo, o livro Fugitivos traz uma história baseada principalmente na amizade que é construída entre cinco amigos. Aos quais, mesmo sendo tão novos, já enfrentam situações difíceis em suas vidas. E juntos aprendem a lidar com suas dores, tanto as físicas quanto as emocionais, perdas, paixões e frustações.
            O livro se inicia com a história de Caio. Um adolescente de apenas 15 anos, que tem sua vida virada ao avesso quando precisa se mudar do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, para ir morar com sua avó Teresa, depois de perder seus pais em um acidente de carro. O luto é um dos momentos mais difíceis na vida de um indivíduo, ainda mais quando se trata de um adolescente.
            Em Belo Horizonte, Caio conhece Jonas. Um menino de 11 anos, super engraçado e tagarela. E também conhece a sua irmã Fernanda, de 15 anos. Eles também passam por uma situação bem delicada dentro de sua própria casa, com uma mãe omissa e um pai muito violento. Assim, a violência doméstica se constitui como outro tema bem importante do livro.
            No decorrer da história, Caio também conhece Gabriel. Um jovem de 17 anos, ex-namorado de Fernanda e que trabalha na banca da dona Teresa. Sua mãe morreu de overdose há alguns anos e seu pai está preso. Apesar de morar com seu irmão Mauro, um irresponsável que compactua dos planos do pai, ele é o único responsável por Bianca. Uma menina adorável de apenas 5 anos e que se torna a alegria e motivação do seu irmão.
            A amizade entre eles brota de uma forma tão intensa e imediata. Pouco a pouco, o vínculo que os une faz com que sejam capazes de enfrentar juntos, todas as dores e problemas do dia a dia. No meio dessa união, nasce também o amor entre Caio e Fernanda, um amor tão simples e verdadeiro. Aonde o autor nos traz momentos tão marcantes e adoráveis do primeiro amor.
          Durante a maior parte da narrativa, cujo próprio título nos sugere ser uma aventura, o leitor tem a possibilidade de vivenciar diversos momentos intensos. E o ápice consiste na fuga, propriamente dita, dos cinco amigos. Tudo começa quando eles se encontram no extremo dos seus problemas, e a única solução no momento parece ser sumir sem deixar pistas. Longe de todos os conflitos, eles aproveitam sua viagem na Kombi verde e vivem deliciosos momentos.
            E o melhor de tudo isso, é que o autor nos relata com riquíssimos detalhes, descrevendo minuciosamente cada lugar e cada cena. Para o leitor que gosta desse aspecto, como é o meu caso, tem a oportunidade de vivenciar ainda mais cada situação.
            A história de cada um desses personagens é tão riquíssima, que seria possível até mesmo fazer uma resenha e/ou estudo de caso de cada um. O autor construiu personalidades com características surpreendentes, dentro de um cenário comum da cidade de BH, e o melhor, passando por momentos tão complexos. São pontos positivos que fazem o leitor se apaixonar ainda mais pela leitura e também se identificar, já que as situações fazem parte de nossas realidades ou até mesmo de pessoas mais próximas.
            E pontos positivos é o que não faltam nesse livro. A própria dinâmica é uma característica que deve ser parabenizada. O autor nos conta a história através da percepção de cada personagem, e ainda consegue fazer isso com um narrador onisciente. E faz de uma maneira bem significativa, de forma que os capítulos sejam bem coerentes e não atrapalhe a leitura. Isso permite que o leitor fique bem mais interessado em saber os próximos capítulos.
            No meio de todos esses aspectos positivos, é importante destacar a riqueza de assuntos abordados em uma só narrativa. Sim, e o autor conseguiu reunir uma série de assuntos tão delicados e difíceis até mesmo de falar. E ele conseguiu fazer isso de uma forma tão leve, e que diante disso nos trouxe tantas reflexões. Além da linda mensagem de amizade, o autor também nos lembra do amor, superação e esperança. Nos lembra que mesmo nos momentos mais difíceis da vida, devemos dar espaço para esses sentimentos.
            O livro é mesmo fantástico. Daqueles que o leitor tem vontade de ler inúmeras vezes, eu mesma tive a alegria de ler duas vezes. O problema, e único ponto menos positivo para mim, é o seu tamanho. A história foi tão empolgante para o autor, que seria tão difícil dividir em dois livros. Apesar de que, acredito que seja empecilho apenas para uns, para mim não é um ponto tão frustrante não. Já que muitas vezes, por causa de inúmeros fatores, não conseguimos adquirir as continuações.
            Esse é apenas um pequeno ponto no meio de tantos que foram destacados no livro, que também possui uma boa diagramação. E que apesar da linguagem mais formal, a leitura é fácil e consegue fazer com que o leitor se envolva completamente com a história.
            Diante disso, eu só tenho elogios para a primeira obra do autor. Carlos Barros realmente começou com pé direito no âmbito da literatura nacional e se tornou um dos meus preferidos. Eu super recomendo essa deliciosa aventura.



p.s.: confesso que minha resenha demorou muito para ser publicada. Falar de uma obra tão intensa e cheia de conteúdo não é mesmo uma tarefa fácil quando se tem uma vida tão corrida. Não poder contar todas as maravilhas do livro e dos personagens torna a tarefa mais difícil ainda. Então, me permiti também fazer uma pequena analise de dois personagens do livro.... se quiserem eu posto depois.  





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Resenha Serena, Ron Rash

Posted by Amanda Nunes on 05:47:00 in
Título Original: Serena
Autor: Ron Rash
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 320
Sinopse: Pemberton, um rico madeireiro, e sua esposa, Serena, são um casal ambicioso, determinado a derrubar todas as árvores das montanhas da Carolina do Norte para aumentar sua fortuna durante a Grande Depressão. Mas um projeto de parque nacional ameaça esses planos. Pemberton passa a subornar as pessoas mais influentes para manter sua propriedade e seu poder. Já Serena, sem escrúpulos, recorre a outros argumentos: a força, as armas e a crueldade. Para sustentar o grande império e conseguir o que ambicionam, os dois vão passar por cima de tudo. Até deles próprios. Uma narrativa brilhante, que equilibra beleza e violência, paixão e ódio, impiedade e amor.




Resenha:


“(…) — Essa gente quer deixar bem claro a maldade que é capaz de fazer. Querem deixar tudo às claras.”


Pemberton é um rico madeireiro da Carolina do Norte. Depois de três meses em Boston, ele retorna para Waynesville casado com uma mulher de personalidade forte: Serena. A personalidade de Serena nos é mostrada logo nas quinze primeiras páginas quando seu marido se depara com uma garota e o pai dela o esperando na plataforma da ferrovia; a garota em questão está esperando um filho de Pemberton, e seu pai quer honrar a filha no estilo violento. Com uma luta de facas, instigado por Serena, Pemberton acaba matando o homem, Harmon, alegando legítima defesa. É a partir deste ponto que vemos que não somente Pemberton é capaz de tudo mas também Serena.




“— Então o senhor é um homem de sorte — observou Serena. — Não poderia encontrar homem melhor para fazer um filho nela. O tamanho da barriga comprova isso. — E, dirigindo o olhar e as palavras para a filha: — Mas este é o único filho dele que você vai ter. Agora estou aqui. Qualquer outro filho que ele tiver vai ser comigo.”



Como é de se esperar, Pemberton não assume o filho, sequer conhece-o. E, enquanto a pobre Rachel Harmon sofre com o fardo de seu pai morto, sem dinheiro e de criar um filho sozinha, Pemberton e Serena estão ambiciosos em enriquecer cada vez mais. No entanto, o projeto de um parque estadual ameaça desapropriá-los por utilidade pública, caso o eles não aceitem a oferta de venda feita pelo Governo. Sendo assim, Pemberton e Serena passam por cima de todos que ameaçam seus negócios. Pemberton usa suborno como método de conseguir tempo: até a ordem de desapropriação pelo Governo, já conseguira cortar todas as árvores em seus hectares; no entanto, Serena usa de crueldade.



“(…) —Esse mundo é um lugar muito difícil. Não me admira que os bebês chorem ao chegar. Lágrimas desde o começo da vida.”



A união passional e ambiciosa do casal começa a entrar em colapso quando Serena descobre que não pode gerar um filho. Cruel e impiedosa, ela promete matar o filho bastardo de Pemberton e a mãe criança, muito mais quando desconfia de que Pemberton está protegendo sua família ilegítima.



“— Que tal algumas páginas dessa sua Bíblia aí? — perguntou Ross — Esse papel é ótimo para enrolar cigarro.”




Com isso, então, o casamento de Pemberton e Serena caminha para um incrível, cruel e dramático acerto de contas.

Ron Rash surpreende e encanta nesse romance que mescla beleza e crueldade. Os personagens são extremamente bem-construídos dentro da história; Serena é uma personagem forte, sagaz e cruel, manipuladora. Achei que algumas cenas da história foram desnecessárias, a maioria eram os diálogos entre os funcionários da madeireira, e isso distancia muito o leitor do ápice da história. Acredito que essas partes desnecessárias poderiam ter sido substituídas para trabalhar um pouco mais a “relação” do Pemberton em proteger a família ilegítima dele, o que demora muito pra acontecer e nem chega a ser uma “proteção”, como a gente imagina o tempo todo. Não há realmente algo mais profundo ou íntimo com o filho, o que torna a história ao mesmo tempo decepcionante e cruel.
A adaptação do livro para os cinemas ocorreu em 2014, e foi protagonizado por Bradley Cooper (nem amo) e Jennifer Lawrence (nem shippo), e há partes da adaptação que gostei muito mais do que as do livro. 

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